Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Subject: (des)ajustes directos em Portugal +
Já NÃO HÁ VERGONHA NESTE PAÍS !
Para quem não é de cá, ou não sabe o que são os "ajustes directos", eu explico. Como gastar o *dinheiro público *é uma coisa que deve ser feita com muita responsabilidade, a maior parte dos fornecedores das entidades públicas é seleccionada por concurso público, onde vários fornecedores apresentam a sua melhor proposta, sendo depois escolhida a "melhor" em função de vários critérios (preço mais barato, serviços apresentados, etc).
No entanto, como se imagina, isto é impraticável de ser feito para tudo o que uma câmara municipal, faculdade, universidade, etc. tenha que comprar. E portanto, há coisas que são compradas directamente, a quem eles muito bem entenderem... e aparentemente, ao preço que muito bem lhes apetecer!
E finalmente, graças ao Portal da Transparência, podemos ver finalmente onde e como esse dinheiro é gasto.
Agora, expliquem-me, porque eu devo estar a ver mal, como é que se justifica:
1) gastar mais de 10.000,00 euros num GPS para um instituto público como o "ISEP" - quando nos dizem que não há dinheiro para baixar as propinas aos alunos...
2) Aquisição de 1 armário-persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas - pela módica quantia de 97.560,00 Euros (!!!)
3) Em Vale de Cambra vai-se mais longe. Se pensam que o Ferrari do Cristiano Ronaldo é caro, esperem para ver quanto custa um autocarro de 16 lugares para as crianças: 2.922.000,00 Euros (é isso mesmo: quase 3 milhões de Euros???
Crianças... se não receberam uma Nintendo Wii no Natal, reclamem ao Pai Natal, porque alguém vos atrofiou o esquema!
6) Mas voltemos ao Alentejo, onde - por uns meros 375.600,00 Euros se podem adquirir: 14 módulos de 3 cadeiras em viga e 10 módulos de 2 cadeiras em viga . Ora... 14x3 + 10x2 = 62 cadeiras... a 375.600,00 euros dá um custo de... 6.058,00 Euros por cadeira!
Mas, pensando bem, num país onde quem precisa de ir a um hospital passa mais tempo sentado à espera do que a ser atendido, talvez justifique investir estes montantes no conforto dos utentes...
7) Em Ílhavo, a informática também está cara: 3 computadores e mais uns acessórios custam 380.666,00 Euros. Sem dúvida, uns /supercomputadores /para a Câmara Municipal conseguir descobrir onde andam a estourar o orçamento.
8) Falando em informática, se se interrogam sobre o facto da Microsoft ser tão amiga do nosso País, e de como o Bill Gates é/era o homem mais rico do mundo... é fácil quando se olham para as contas: *Renovação do licenciamento do software Microsoft : 14.360.063,00 Euros.
Já diz o ditado popular: Dezena de milhão a dezena de milhão, enche a Microsoft o papo!
9) Mas, para acabar em pleno, "cagar" na capital fica caro meus amigos!
A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa gastou 5.806,08 Euros em 9.072 rolos de papel higiénico! Ora, uma pesquisa rápida pela net revelou-me que no Jumbo facilmente encontro rolos de papel higiénico (de folha dupla, pois claro! - pois não queremos tratar indignamente os rabos dos nossos futuros doutores) por cerca de 0,16 Euros a unidade... Mas na Faculdade de Letras, aparentemente isso não é suficiente, e o melhor que conseguiram foi um preço de 0,64 Euros a unidade! É "apenas" quatro vezes mais do que qualquer consumidor consegue comprar - e sem sequer pensarmos no factor de "descontos" para tais quantidades industriais.
Num País minimamente decente, eu deveria poder exigir que me devolvessem o valor pago em excesso, não?
Mandava o link para a Faculdade de Letras de Lisboa, e exigia que me devolvessem os 4.000 e tal euros pagos a mais. (Se comprassem no Jumbo, teriam pago apenas 1.451 euros pelo mesmo número de rolos de papel higiénico.)
Ó MEUS AMIGOS.... como é que é possível justificarem estas situações?
Que, como se pode imaginar, não são as únicas. Se continuasse a pesquisar nunca mais parava - como por exemplo, os mais de 650 mil euros gastos em vinho tinto e branco em Loures.
Leitores de Loures, não têm por aí nada onde estes 650 mil euros fossem melhor empregues?!?
É preciso ser doutor, ou engenheiro, ou ministro, ou criar uma comissão de inquérito, para perceber como o dinheiro dos nossos impostos anda a ser desperdiçado?
Isto até me deixa doente... é mesmo deitar o dinheiro pela retrete abaixo literalmente, no caso da Faculdade de Letras de Lisboa!)
Querem mais?
Sugestões de pesquisa: viagens, viaturas, Natal... outros candidatos a roubalheira do ano: