Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Um soneto de Manuel Feijó...

 

                                                                 
 
 
 
 
                             Muito loira e fria
 
 
 
                  
                             Morreu. Deitada no caixão estreito,
                          Pálida e loira, muito loira e fria,
                          O seu lábio tristíssimo sorria                                    
                          Como num sonho virginal desfeito.

                          - Lírio que murcha ao despontar do dia,
                          Foi descansar no derradeiro leito,
                          As mãos de neve erguidas sobre o peito,
                          Pálida e loira, muito loira e fria...

                          Tinha a cor da rainha das baladas
                          E das monjas antigas maceradas,
                          No pequenino esquife em que dormia...

                          Levou-a a morte na sua garra adunca!
                          E eu nunca mais pude esquecê-la, nunca!
                          Pálida e loira, muito loira e fria...


                                                                              António Feijó
 
 
 
                                                                                         Obs.-  Quando eu era pequeno, a Madrinha declamava este poema!
 
Muito loira e fria - uma estética de Feijó                                            
No auge da mocidade e da inspiração, cerca de 1882, ainda estudante universitário mas já co-editor     da “Revista Científica e Literária”, António Feijó esboça na referida revista um programa da sua poética :
 “A poesia, no começo deste século, foi eminentemente pessoal, mas muitas vezes com ênfase e com afectação do sentimento, o que preparou a reacção dos virtuosos e impassíveis. A poesia soube com eles segredos de forma, e um rigor de contornos que ignorava ainda. Mas como a gente se cansa mesmo das belas linhas e das belas cores quando não há nada debaixo, a poesia voltou a ser pessoal, mas não da forma por que o já tinha sido. Dos primeiros líricos conservou a emoção; dos poetas artífices a perfeição da língua; mas acima do sentimento e da sensação faz dominar o pensamento; acima do amor das pessoas humanas e das formas da matéria, o amor da verdade...
Não é possível averiguar se a teoria exposta correspondia ao espelho em que Feijó gostaria de rever-se. Mas admitimos que sim. O que significaria, para a evolução e diversidade do futuro do poeta, a evidência de um programa não cumprido. Muitas vezes contrariado no poema apesar da reafirmação da teoria, negando o que hoje sabemos que deveria afirmar e que, apesar da recusa, corresponde ao concreto da sua realização poética.
Cremos que o ultra-famoso soneto
“Pálida e loira”, que se segue (e seus sucedâneos e afins, e muitos outros textos que não são nem uma coisa nem outra), pode constituir exemplo paradigmático da estética que tentaremos ensaiar:                ………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….
É este um poema que ousou materializar no tempo a fidelidade aos seus próprios dizeres: lido uma vez, com um mínimo de atenção, não mais pode esquecer-se, nunca!
“Pálida e Loira” consta do livro “Líricas e bucólicas”, publicado em 1884 (Mas há uma outra “Pálida e loira” em “Ilha dos amores”, publicado em 1897).                                                                                                              
 
 
publicado por blogdaportugalidade às 15:37
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