Domingo, 25 de Setembro de 2011

PENSE NISTO!!! O QUE LHE PARECE????Não acha que devemos pugnar pela verdade e termos outra postura ???

 

É UM POUCO EXTENSO, MAS VALE A PENA LER. É ESTA A REALIDADE EM QUE

VIVEMOS. ESTÁ BRILHANTEMENTE REDIGIDO.

Não podia ser mais verdade!!!

Bem-haja a quem não tem medo de ver e muito menos de dizer a verdade.

Leiam este texto escrito por um professor de filosofia que escreve semanalmente

para o jornal O Torrejano.

Tudo o que ele diz, é tristemente verdadeiro.

O atestado médico por José Ricardo Costa

Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer

uma vigilância. Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica

preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente,

pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.

Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta. Ora esta coisa de um professor ficar

com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é:

como justificá-la?

Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no

elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a

camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico. Qualquer pessoa

com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico

será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua

ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação

deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.

Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de

Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre

Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser

explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos

que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da

TVI.

O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O

presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que

ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente.

O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador

apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.

Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do

elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.

Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.

Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em

certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados

ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.

Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias

vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito

engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para

sermos enganados.

Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o

'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras

ocasiões. O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade.

Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso

Henriques, que Deus me perdoe.

A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que

ninguém leva a mal porque já estamos habituados.

Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas

razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade. Se eu,

num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá

levar a mal.

Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não

fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu

sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei

que ela sabe que eu sei.

Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim

seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro,

mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho.

Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de

três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que

aquilo é tudo verdade.

Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e

culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos

malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza.

Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas

modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por

limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas

horríveis e fábricas desactivadas.

Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o

mundo.

Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no

elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que

comece a vomitar sobre si próprio.

-----------------------------------------

URGE MUDAR ESTE ESTADO DE COISAS.

ESTÁ NA SUA MÃO, NA MINHA E DAQUELES A QUEM A MENSAGEM CHEGAR!

 

 

 

«70 mil atestados médicos a professores em 4 meses» - DN
Por Redacção

Entre Outubro de 2010 e Janeiro deste ano foram passados 70 031 atestados a professores, o equivalente a 514 mil dias de baixa. A situação foi detectada pela equipa de Isabel Alçada, a ex-ministra, tendo posteriormente sido aberto um inquérito pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.

Até agora foram instaurados 19 processos disciplinares pelo Ministério da Educação e um caso vai ser apreciado pela Ordem dos Médicos. A lista das baixas, 413 das quais assinadas pela mesma médica, já foi entregue ao Ministério Público.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                              

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