Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

As " GUERRAS" das Independências"...,neste caso da Rodésia..

 

 
       

 

 
 
 
 
Assunto: Fw: Salazar e a questão da Rodésia
 
Dá que pensar !
RD
 
 
Subject: Salazar e a questão da Rodésia


 

Concordando-se ou não com a política de Salazar, uma coisa temos que reconhecer: era um Homem que defendia até às últimas consequências os valores em que acreditava, sempre coerentemente, nem que para isso tivesse que afrontar forças muito mais poderosas e que sobre elas não tinha qualquer hipótese de vencer, a não ser pelas suas convicções. AM

 

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Em Janeiro de 1966, cheguei á BA10, na Beira para iniciar a minha comissão de serviço no Ultramar. Era Alferes da Polícia Aérea e havia um movimento anormal mas, que me recorde, nada de grandes apreensões.

Escavavam-se trincheiras no aeroporto e, dias antes um dos Quintanilhas tinha-se despistado na aterragem, com um PV-2 que, ficou como monumento na BA10.

 

Pelo resto da minha vida profissional, costumava em geito de laracha dizer a colegas Ingleses, que a actividade militar mais activa que tinha tido, tinha sido contra eles Ingleses. Nunca encontrei nenhum que tivesse tido conhecimento deste episódio.

 

MF

 


Na altura eu tinha 39 anos e pelo meu ofício tinha a obrigação de saber como certas coisas se passavam. Neste caso concreto as minhas recordações não coincidem a 100% com as do Snr. Carlos Branco.   CM

 

    

Salazar e a questão da Rodésia

( Sobre Guerra em Monçambique )

Em Novembro de 1965 eu tinha apenas 11 anos, acabados de fazer, mas já nessa altura me interessava por política e acompanhei com sofreguidão o evoluir dos acontecimentos. Vivia em Vila Pery, hoje Chimoio, mas por muitas vezes ía à Beira e por também muitas vezes visitava aquele território inglês com os meus pais. Admirava o estilo de vida que os "bifes" tinham trazido para ali, a Ordem, o Rigor, a sede de Cultura, com espectáculos semanais de ópera numa cidadezinha como Untali, com menos de 30 mil habitantes.

Nesse fim de 1965, o governo inglês dirigido por Harold Wilson decidira entregar o governo da Rodésia do Sul à maioria negra como fizera na Rodésia do Norte (Zâmbia) e com a Nyassaland (Malaui).

A população branca residente na Rodésia do Sul, cerca de 250 mil colonos, decidiu que Ian Smith seria o primeiro ministro de uma Rodésia independente, governada por brancos, à semelhança do que acontecia na África do Sul, país que imediatamente apoiou a iniciativa.

Pouco tempo depois, o governo inglês enviou para o Índico uma task force constituída por um porta-aviões, três fragatas e navios de apoio, num total de nove navios. A missão dessa força militar era desembarcar na Beira, porto marítimo e principal via de abastecimento e de escoamento de produtos da Rodésia, e de seguida rumar àquele território para impôr pela força a aceitação de um governo negro.

Por essa altura os hoteis de Moçambique e da África do Sul encheram-se com as mulheres e crianças idas da Rodésia, onde apenas ficaram os homens, em armas e dispostos a tudo para manter o governo de Ian Smith.

Salazar não hesitou. A entrega da Rodésia à maioria negra iria abrir uma nova frente de guerra no distrito de Manica e Sofala, bem como na fronteira sul de Tete. Sem pensar duas vezes, Salazar deu ordens às forças portugueses aquarteladas na Beira no sentido de impedir o desembarque dos ingleses. Nessa altura foi reactivada a bateria de costa da Beira, constituída por 3 peças fixas Krupps, se não estou em erro de 150mm, localizadas no bairro das Palmeiras. Foram deslocadas para a foz do rio Pungué várias peças de artilharia móveis e o terraço do Grande Hotel serviu de base a diversas peças de artilharia anti-aérea. Em poucos dias a cidade da Beira fortificou-se, preparando-se sem hesitações para resistir a um ataque dos ingleses. A frota inglesa, mesmo assim entrou nas águas territoriais nacionais, supondo que os portugueses não lhes fariam frente. Sairam ao seu encontro 2 T-6 Harvard, que dispararam algumas rajadas de aviso para a água, em frente à esquadra inglesa. Aí os ingleses perceberam que a ocupação da Beira, onde queriam estabelecer uma testa de ponte para atacar a Rodésia, não ia ser pacífica.

Possuíam naquele momento forças suficientes para derrotar os portugueses, quer em homens, quer em aviões, mais de meia centena de caças bombardeiros contra alguns T-6 Harvard e PV2 Harpoon, que seriam facilmente abatidos por serem aviões lentos, quer em poder de fogo por parte das peças de artilharia das fragatas.

Apesar da desigualdade de forças, em momento nenhum os portugueses pensaram em virar as costas ao combate.

Várias pontes da estrada de 300km que ligava a Beira à Rodésia foram armadilhadas pelas forças portuguesas, que tinham ordens para as destruir em caso de desembarque inglês.

Harold Wilson decidiu suspender o ataque que iria opôr os aliados de séculos, percebeu que Salazar não permitiria o desembarque.

A frota inglesa regressou a águas internacionais onde iniciou um bloqueio naval a todo o tráfego que rumava à Beira. Apenas passavam os navios com mercadorias de e para Moçambique. Os que traziam abastecimentos para a Rodésia eram impedidos de entrar no porto da Beira. Em pouco tempo o dispositivo militar foi reforçado em terra. De Portugal e de Angola chegaram aviões de combate Fiat G91 e F84, para além de peças de artilharia. A partir dessa altura havia um equilíbrio entre as forças portuguesas e as inglesas.

Deu-se então o episódio do petroleiro grego Ioana V, de 12.000 toneladas, carregado de crude para a refinaria de Untali. Os ingleses tinham decidido paralizar a Rodésia de Ian Smith por falta de combustíveis.

Salazar mais uma vez decidiu "aborrecer" os ingleses. Na Beira estava uma fragata (penso que era o antigo aviso Bartolomeu Dias) e um draga-minas. Receberam ordens para zarpar e ir ao alto mar "buscar" o petroleiro bloqueado pela armada inglesa. Os dois navios portugueses rumaram até ao local e colocaram-se um de cada lado do petroleiro, de modo que os ingleses se o quezessem impedir de rumar ao porto da Beira teriam de disparar sobre os dois vasos de guerra portugueses. Receberam ordens de Londres para não abrir fogo, e o petroleiro grego "furou" o bloqueio inglês.

Percebendo que Salazar jamais permitiria que os ingleses impuzessem na Rodésia um governo de maioria negra, Harold Wilson ordenou a retirada da task-force, assumindo a derrota.

 

Carlos Branco - Movimento pró-Pátria

 


 
publicado por blogdaportugalidade às 16:31
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