Quinta-feira, 10 de Março de 2011

A GRANDE MARCHA DA G 12....

                   A MANIFESTAÇÃO DO DIA 12 DE MARÇO

                                                                                                  9/03/11

 

     Corre a notícia, no éter informático, que dos 736 deputados do Parlamento Europeu, 17 são acusados de violência conjugal; 11 emitiram cheques sem provisão; 35 participaram, directa ou indirectamente, em falências fraudulentas; 16 foram a tribunal por delitos diversos, no âmbito do código civil e 32 foram presos por conduzirem embriagados ou por outros delitos de trânsito. Total 111, ou seja, grosso modo, um em cada sete.

      Será que daqui se pode concluir que o sistema eleitoral democrático, existente na Europa é permeável à eleição da “banditagem”para o Poder?

      Dir-se-á, “mas ao menos existe liberdade de expressão e pode-se denunciar o que está mal”. É verdade – embora não seja a verdade toda – mas pergunta-se, a liberdade de expressão como é usada, tem servido para alguma coisa? Quantas malfeitorias e erros denunciados são castigados ou corrigidos? A liberdade de expressão como o direito à manifestação pacifica não tem quase sempre servido como escape e para dar azo a uma pretensa liberdade individual e acalmar consciências, do que para melhorar efectivamente as coisas?

     Clama-se contra os ditadores que existem por esse mundo fora – embora ditador mau é apenas aquele que cai do poder, ou se atreveu a ferir interesses de uma potencia – os cleptocratas de África, etc. Mas qual é a diferença, por ex., para Portugal onde o ordenado de 20% da população não chega a 500 euros e os gestores públicos, por onde passam a quase totalidade de quem exerceu ou vai exercer cargos políticos, nem sabe quanto ganha…

      Qual é a diferença? É por se ter ido a votos? E o que é mais importante, o modo ou a substância?

       Se os cleptocratas, africanos, asiáticos, sul-americanos, etc., fossem eleitos por votos considerados livres (!?) e continuassem a roubar o seu povo, a delapidar as riquezas naturais, a atentar contra os direitos humanos, etc., já estariam desculpados e passavam a respeitáveis?

       Isto, claro, para já não falar nos regimes comunistas que despontaram à força, por todo o mundo – agora restam poucos, mas não desapareceram – em que tiveram o desplante de decretar que o povo estava no poder e era tudo comum e igual. Foi igual a miséria para todos, de facto, menos para os que estavam no poder. E o Despotismo Iluminado comparado com eles era um conto de fadas…

      Vem tudo isto a propósito das projectadas manifestações do dia 12 de Março.

       Pensei apoia-las e participar.

       Passei, entretanto, a pensar se o deveria fazer.

       Não conheço os organizadores da coisa o que, à partida, poderia consignar uma réstia de esperança em cidadãos descomprometidos.

       Depois parecia-me um protesto correcto, contra o modo de actuação da classe politica e a existência de um cada vez maior número de injustiças e barbaridades, de que devíamos ter vergonha e nos vão condenar a uma existência miserável.

       Seria uma manifestação cívica contra o descalabro cívico e moral. A defesa de um futuro melhor para os nossos filhos e netos. Uma afirmação pela Decência!

       Decência nas relações sociais e em prol de que a Politica seja o serviço da “Polis” e não o exercício do saque autorizado, a outorga sistemática da soberania e a desconstrução da Nação dos portugueses.

      Não se iria resolver concretamente nada, nem se pode despedir todos os políticos em simultâneo. Mas poder-se-ia ter algum êxito no arrepiar do caminho em muita coisa. Pelo menos que pensassem duas vezes antes de legislarem ou abrissem a boca.

      E é pela decência que temos que lutar, pois já vimos que corruptos e malandros medram sob a capa de todos os regimes e sistemas políticos. Até de Religiões!

      Aconteceu, porém, o inevitável: o PCP e o BE vão tentar cavalgar a onda, independentemente de ter partido deles ou não, a iniciativa. Talvez o SIS saiba, mas duvido.

      Ora isto, a acontecer, estraga tudo, por três razões: primeiro porque a participação de partidos numa manifestação deste tipo afasta o comum dos cidadãos – pretende-se uma manifestação “inteira”, não “partida”; depois porque os partidos são parte do problema, não são parte da solução, e é por causa do modo como funcionam que chegámos ao que chegámos. Finalmente porque o exercício e a prática dos citados partidos tanto em Portugal como nos seus congéneres estrangeiros são responsáveis por resultados dos mais estarrecedores na história dos povos

      Por isso – e a talhe de foice – se estranha que o Prof. Marcelo no seu pretérito monologo televisivo, tenha felicitado tão efusivamente o PCP pelo seu 90º aniversário.

      De facto, a direcção do partido o que quis impor em Portugal, desde 1921, foi uma ditadura estalinista. Foi combatido de um modo muito mais humano e benévolo em relação aos métodos que preconizava e defendia… Obedeceu sempre, até à queda do muro de Berlim, em1989, auma entidade estranha ao povo português: o Partido Comunista da União Soviética.

       Tentou apoderar-se do Poder em Portugal, pela força e pela intimidação, já depois do golpe de estado ocorrido em 25 de Abril de 1974, que eles muito ajudaram a que se transformasse numa revolução anárquica. Foram um dos principais responsáveis (embora longe de serem os únicos), pelo drama da Descolonização e por se ter entregue, atrabiliariamente, o poder nos ex-territórios portugueses a forças marxistas e apenas a estas. E ao descalabro que daí adveio.

       O 25 de Novembro de 1975 parou-lhes o golpismo à força, mas não os liquidou. Toleraram-nos e permitiram-lhes um ar de respeitabilidade. Herdámos assim problemas para décadas…A título de comparação, os vencedores do 25/11, comportaram-se como os generais ingleses que deixaram partir Junot e o que restava do seu Exército, com armas e bagagens – e tudo o que roubaram. Até forneceram os navios!

       E se hoje o PCP diz aceitar o jogo democrático “burguês”é porque não lhe resta outra alternativa e tem gozado das “amplas liberdades”que sempre foram negadas aos outros, quando um partido comunista esteve no poder em qualquer parte do mundo. E não ouvimos, até hoje, qualquer declaração do Comité Central renunciando à ditadura do proletariado, à conquista revolucionária do poder, à luta de classes e outros mimos semelhantes.

       Dão-se alvíssaras, portanto, a quem conseguir perceber em que é que o Prof. Marcelo se apoia para tão calorosas felicitações.

       O BE ainda consegue ser pior. Menos perigoso, mas pior.

       O Bloco é uma amalgama de trânsfugas de um número indeterminado de ideologias e “istas”falhados, qual deles o pior, o que resulta num nexo caótico cujo fio condutor é o ódio ao que existe.

       A envolver tudo isto temos uma mistura de novos e velhos jacobinismos com herdeiros do Maio de 68, em França, que resultaram na pior liderança politica do último milénio…Esta rapaziada espalhou-se e invadiu todos os partidos, parlamentos e governos dos países ocidentais. Encontraram os cofres cheios e os supermercados repletos e pensaram que tinham o rei na barriga. Renegaram os princípios e valores que tinham criado esta riqueza e bem-estar e trocaram-nos pelo relativismo moral, o multiculturalismo, o consumismo, o individualismo feroz e a cultura do prazer. Desenterraram a teoria do “bom selvagem”, desresponsabilizando os actos anti-sociais e pondo o ónus numa entidade indefinida chamada sociedade.

       Ignorar Deus e o espiritual já não lhes chega, são militantemente contra. Atacam a família (e todas as instituições centenárias), e já quase a destruíram. Enfim isto dava pano para mangas.

       Os partidos do “arco do poder”estão, também, todos coloridos por esta gente. E pior foram infiltrados pelas diversas “maçonarias” existentes e grupos de interesses ligados a negócios. Tudo virou, aliás, negócio, daí serem falhos de princípios, de ideologia e de patriotismo.

        Com a queda do muro de Berlim e sem contrapeso ideológico/militar, a alta finança ocidental começou a desenvolver comportamentos típicos da natureza humana num ambiente “sem peias”, a fim de cevarem os seus apetites gananciosos de poder e dinheiro.

        Começaram por acelerar os poderes de organizações internacionais que ninguém elegeu e que funcionam à margem dos estados nacionais e da ONU (supostamente a sede do Direito Internacional), como são o G-20, aComissão Trilateral e o Grupo de Bilderberg; depois tentaram criar um mercado mundial de comercio (a tal globalização), subtraindo o controlo da economia a cada estado, em favor das grandes companhias multinacionais – originando problemas enormes de emprego e fluxos migratórios. Mas a reacção da China, da Índia e em parte da Rússia começou a destabilizar o sistema (o mundo muçulmano, à parte a “elite” da OPEP, tem ficado de fora deste esquema por razões próprias; veremos como o tumulto que os varre neste momento – e que aparentemente ninguém previu – se vai harmonizar com esta realidade).

        Finalmente desregularam o sistema financeiro de tal forma, que criaram ondas de choque – com origem na Wall Street – que se propagaram em todo o mundo. Tais ondas estão longe de terem parado.

    Alguns dos principais responsáveis por estes actos reputados como criminosos, segundo o filme “Inside Job”, premiado na última edição dos Óscares, foram convidados para o governo dos EUA pelo Presidente….Obama. Esse mesmo, que na campanha eleitoral prometeu que ia pôr a Wall Street na ordem.

     Perante tudo isto, os políticos saídos do tal arco do poder, nada previram, nada viram e nada fizeram. Agora querem que seja a população a pagar.

      Em Portugal não foi diferente, apenas com particularidades próprias.

      Atordoados e inermes depois de PREC louco, perdendo no espaço de ano e meio cerca de 95% do território e 60% da população – e sem nunca, até hoje, se ter tido a coragem de fazer um balanço e medir as consequências que isso teve para o país – a população portuguesa ficou num estado de stress pós traumático!

   Sem lideranças patriotas e maioritariamente internacionalistas, nivelados por baixo, com grande parte das elites emigradas ou presas e envergonhados de sermos descendentes de Gamas, Albuquerques e Cabrais (até isso nos tiraram), o país abandonou-se como barco à deriva, sem motor nem timoneiro, no mar da CEE.

      Fomo-nos autodestruindo e passámos a viver a prazo e de crédito.

      Como pano de fundo de tudo isto implantou-se um sistema político/partidário que vive em guerra civil permanente (ainda sem tiros), encimado por um regime semi-presidencialista, que não é carne nem peixe. Está bloqueado e não se recomenda.

      Numa palavra, desqualificámo-nos e ninguém nos leva a sério. Nem nós próprios.

      Os responsáveis por tudo isto somos todos, é certo, mas alguns são mais do que outros.

    Mas desses que são mais responsáveis ainda não veio ninguém dizer que se enganou e ninguém pediu desculpa. E o mais incrível é que ninguém dos responsáveis quer dar o exemplo nos sacrifícios que está a impor como canga a toda a Nação, ficando as principais clientelas politicas de fora!

     A vergonha próxima da nossa desqualificação como nação (já nem é o estado), vai dar-se no próximo festival da canção, em Berlim, com a representação que lá elegemos levar. Isto de eleições teve sempre os seus perigos…

      Era para protestar contra todo este tipo de comportamentos que eu gostava de me manifestar no próximo dia 12. Pela tal decência que tem que andar associada a vergonha na cara.

      Como fazer então se, aparentemente, não é isso que vai acontecer e, ainda por cima as pessoas que eventualmente partilhassem desta motivação, vão ficar no conforto da lareira?

      Tudo pesado, decido ir.

      Irei sozinho ou com familiares. Não corro o perigo de me confundir com outrem; não hostilizarei coisa alguma ou alguém. Não levo bandeiras nem palavras de ordem; o silêncio será o meu protesto. Pela decência.

   Não me misturarei com quem defenda coisas com que não me identifico, mas terei com todos a solidariedade de compatriota. Somos todos portugueses e essa é a base comum e alargada que nos deve unir.

    O “palco” não pode, nem deve, ser ocupado sempre pelos mesmos e ninguém tem de abdicar das suas convicções, ou sentir-se intimidado.

    O futuro envolve-nos a todos e vai ter que ser percorrido por todos.

 

 

                                            João José Brandão Ferreira

                                            Cidadão eleitor nºB-10614

 

       

publicado por blogdaportugalidade às 19:40
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