Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

MAS AFINAL ONDE ESTÁ A DEMOCRACIA????

DISCIPLINA DE VOTO OU DE PENSAMENTO,

NO PARLAMENTO?

Alguns, convenientemente, dizem-nos que vivemos em democracia. Outros,

reflectem um pouco melhor e dizem-nos que temos um sistema de democracia

representativa; isto é, o povo escolhe quem os representa no parlamento, onde

se fazem as Leis e onde se convidam, em alguma proporção, os designados

para a governação. Os mais honestos, inteligentes e realistas, dizem-nos que é

preciso termos democracia efectiva…!

Contudo, o povo dá por si, sistematicamente em cada legislatura, a protestar

contra os governos e contra os deputados, reconhecendo a traição perpétua

aos interesses do Bem comum e à vontade legítima e justa do povo. O que

falha, sempre?

Em primeiro lugar, o povo não escolhe deputados e muito menos o elenco

governativo; estes são escolhidos pelos directórios partidários e nem sequer

são escolhidos pelo universo de cada distrito de militância partidária, por onde

se candidatam!

De facto, o povo escolhe Partidos, deixando-se enganar pela imagem que estes

construíram nas emoções dos menos reflectidos. O principal capital eleitoral

dos Partidos é resultado do “marketing” que fizeram, recorrendo ao

endeusamento de figuras e martírios, vindo do culto de personagens de

liderança! Mas o povo não priva com os líderes e só conhece o que a

comunicação social lhes transmite, em actos de manipulação de gostos. As

máquinas eleitorais partidárias produzem imagens de adorados do povo e este

gosta muito do benefício da dúvida, intensificado por sentimentos de perda e

esperança em salvadores heróicos…; um Partido colhe um imenso lucro do

capital político da evocação de um mártir, que desapareceu da liderança, no

momento em que se preparava para concretizar algo, que ninguém sabe o que

seria e que não foi posto à prova nas consequências governativas. Foi um

prometido, que se finou, na revisitação do culto sebastiânico!

Em segundo lugar, os deputados eleitos, à boleia dos votos nos Partidos e das

escolhas das lideranças, passam a representar a opinião destas e não a

vontade popular e cultural dos seus eleitores. Até neste pormenor, as

lideranças garantem que a escolha de deputados reflecte os seus padrões

culturais e sócio-económicos, ao recrutarem candidatos, nas elites que tanto

privilegiam!

Portanto, à entrada no parlamento, a democracia representativa já foi

adulterada, porque os senhores deputados estão apenas identificados com um

certo povo privilegiado da sociedade, conduzindo a que a maioria do povo não

se reveja nas ideias, mentalidade e decisões parlamentares ou governativas,

identificadas apenas com o estatuto de elitismo anti-social!

Resumindo e concluindo, a promessa de democracia gorou-se, como quase

tudo o que as lideranças prometem, de bom, ao povo! Vivemos ainda

subjugados às ditaduras de grupos privilegiados, que assaltam os directórios

partidários, aninhando-se onde houver alternativa de governo. Vivem apenas

apostados em resolver o maior problema das lideranças, que é manter o Poder,

e fazem-no por sucessões oligárquicas, aparentemente divergentes…!

Ao nível parlamentar é garantida a continuidade dos interesses oligárquicos,

pela disciplina de voto. Os deputados são obrigados a votar em conformidade

com a vontade da oligarquia e não de acordo com a sua sensibilidade cultural,

que, de resto, como vimos, não é muito diferente!

Para o povo não representado, e constantemente traído, resta a constatação de

que os militantes partidários, na sua acção social, contradizem-se

regularmente com os princípios que dizem defender, porque a hipocrisia e a

cegueira do culto das lideranças não quer reconhecer os interesses

particulares, que definem as vontades políticas parlamentares e governativas.

Isto quer dizer que, para haver disciplina de voto, sacrifica-se a disciplina de

ideologia partidária, em troca de favores para os mais obedientes, seguidistas,

“lambe-botas” e fanáticos dos ídolos liderantes. Como não há democraticidade

interna nos Partidos, nem identidade programática na conduta das militâncias,

as lideranças não fazem regulação da acção dos representantes partidários,

deixando-os expressarem-se, mas reservando-se no direito de pedir obediência

às suas vontades; por isto, todos prevaricam contra a ideologia!

Para aplicar a democraticidade interna e a identidade programática partidária,

na proposta para um modelo de governo da sociedade, as lideranças só

deviam impedir a votação, que fosse contrária aos princípios programáticos

partidários! O problema é que os princípios programáticos partidários são

quase sempre incoerentes, por força das revisões, que vão retirando e

acrescentando ideias, ao sabor das vontades de cada grupo oligárquico, que

aplica as ditas revisões programáticas. Sobretudo os Partidos de Poder têm

hoje um programa, que não é mais que um conjunto retalhado de ideias de

diferentes directórios ideológicos, antagónicas entre si e com o ideal

fundamental da corrente política!

Em democracia, as lideranças servem apenas para regular acções e definir

coerências ideológicas, dando espaço à livre escolha dos cidadãos, embora

limitada por aquilo que se define para o modelo social, e que todos devem

definir e aprovar, em cada momento civilizacional!

É que nem todos sabem criar compatibilidades entre ideologia e prática, nem

todos sabem praticar o que professam…!

Porque estamos ainda aqui, neste atraso mental, em que não temos

democracia representativa e muito menos a democracia participativa. Para

termos esta última, é preciso que o povo entenda que quem paga tudo, o que o

Estado tem e dá aos seus administradores e demais funcionários, e quem paga

tudo o que as empresas têm e dão aos seus administradores e demais

trabalhadores, são os do povo contribuinte e consumidor!

Logo, o povo governado e servido tem de garantir que os governantes e

administradores não se desviam das normas que se traçam para estes, bem

como tem de punir severamente, quem não cumprir com as normas da

governação responsável e séria!

Para finalizar, quem criou e aprovou, nomeadamente as normas

constitucionais? Exactamente, foi apenas a liderança das elites governativas;

as mesmas que vão teimando em adulterar as normas, que criam, ou por

concordância com outros semelhantes!

Sinal de que o sistema educativo continua a formar tecnocratas, sem

mentalidade democrática, porque formata autismos das verdades técnicas

relativas e não confere o juízo de valores das técnicas; muito menos forma as

consciências para uma mentalidade do sentido de vivência social altruísta e

cooperativa, de permanente reciclagem de verdades. Bem pelo contrário, o

ensino prepara para a competição dos mais fortes, dos mais bem

disciplinados, dos angariadores acríticos de conhecimento e dos mais

habilidosos…, para poderem continuar a afirmar a réplica dos mandos, que

continuam as coisas absurdas, injustas e segregadoras de importâncias

artificiais, que fazem a ditadura do estatuto dominante dos orgulhosos,

narcisistas e arrogantes!

Foi isto tudo que se equacionou, quando um homenzinho anafado, de

oculinhos, do sistema primitivo, se impôs à dialéctica pensante dos seus

camaradas de Partido, com a disciplina de voto parlamentar, anulando as

melhores consciências sociais! Desastroso serviço foi prestado ao anúncio de

democracia, que foi feito há mais de 36 anos...; tanto tempo para passar da

comunicação à realização? Por causa da burrice de muitos e da malfeitoria de

uns poucos anti-sociais!

Por José M.Barros in “Democracia em Portugal?”-14.12.10

publicado por blogdaportugalidade às 00:28
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